Meu encontro com S.S. O Dalai Lama

Meu encontro com S.S. O Dalai Lama

Tenzin Gyatso, monge e doutor em filosofia budista, Prêmio Nobel da Paz, líder e mentor do povo tibetano, XIV Dalai Lama, é uma voz forte, lúcida. Comprometida com a paz! 

Ele chegou suavemente. Poder e humildade. Densidade e sorrisos. Jovialidade e setenta e um anos. Marcas de sua presença para uma platéia que silenciava.

Manifestava profunda curiosidade pela ciência ocidental, desde a adolescência. Seguiu então, nesta busca com especial interesse pelas pontes, articulações, sinapses, desafiando ortodoxias que retardam o exercício do ser humano para com uma atitude ética pós-moderna. E ele estava ali.

Tirou os sapatos e sentando na posição de Lótus, nos disse:

 “Reflitam sobre o que eu falar… Não são Verdades Absolutas, são reflexões de um ser humano”.

O que se introjeta de uma palestra, se não pela prática diária de uma mudança de atitude?

Em 1987 possibilitou o encontro da ciência com a Espiritualidade quando abriu sua residência em Dharamsala para a primeira conferência sobre Mente e Vida.

O encontro sobre Mente e Vida, assim chamado, foi organizado pelo neurocientista chileno Francisco Varela (conhecido do pensamento sistêmico desde a década de 70 por trabalhos com o também chileno e biólogo Humberto Maturana), e pelo empresário americano Adam Engle, com a proposta de reunir cientistas de várias disciplinas abertos ao diálogo, numa discussão privada, informal, e sem limitações que duraria uma semana.

Este processo continua até hoje, com reuniões a cada dois anos. Processo este que vem colaborando na ampliação da nossa noção de uma realidade mais abrangente: as novas teorias da física e da mecânica quântica se percebem já enunciadas nas antigas escrituras budistas e se dão conta de que não são tão novas assim.

S.S. O Dalai Lama

E ele agradecia. 

Aos cientistas, que lhe dedicaram tempo, paciência se intitulando um aluno lento, a experiência que estava tendo aqui no Brasil, as perguntas que o faziam ampliar suas reflexões. 

E nos convidava a refletir sobre compaixão e amor: 

Para que é preciso primeiramente alcançar a Serenidade Da Mente? 

Para ter paz de espírito, ter saúde física e bem estar psicológico e para poder lidar com o que temos que enfrentar como desafios da nossa existência. A Mente Serena possibilita nos encaminharmos com motivação positiva, aperfeiçoar valores, que é a atitude da ÉTICA HUMANA.

O que seria a Postura Ética? 

Ética Humana é estar sempre motivado, impulsionado a fazer o bem em benefício da outra pessoa. É ter uma atitude Ecológica – atitude de aceitação e compaixão com o outro. Amar é servir ao outro.

O que seria a Atitude de Compaixão? 

A base da compaixão é a paz de espírito. A compaixão vem acompanhada de sabedoria e paz. É livre de segundas intenções. A Compaixão Genuína traz respostas positivas nos relacionamentos. Traz afeto de resposta. Mas também atitudes firmes, limites são válidas quando temos como base a Motivação (Ética) correta para com o outro.

Benefícios da Atitude de Compaixão ? 

Fazer em benefício do outro nos traz como benefício paz, força interior, autoconfiança na nossa condição humana, reduz o medo, a raiva o ressentimento. Não podemos prever os resultados. O resultado maior é a paz pra quem se doa. Tranquiliza nossas mentes nossos relacionamentos, família, trabalho, humanidade.

Sobre a Ética e o Amor?

Estes temas da humanidade voltam a ter espaço de reflexão com a mudança de paradigma, em nosso mundo pós-moderno.

E ele se despedia falando que sua responsabilidade era colocar sementes de responsabilidade. 

Ética nas atitudes de cada ser humano, em cada diversidade de realidades que ele visitava.

O cuidado ecológico com as mentes e com o mundo é de cada um de nós. E que todo ser humano tem características de compaixão e amor, e têm falhas. Essa é nossa natureza complexa. 

Reconhecer esse fato é estar em um nível de consciência mais elevado, pelo qual devemos agradecer.

E eu o conheci. 

S.S O Dalai Lama

Ou, em outras palavras, um ser humano ético. 

Reconhecidamente um conciliador e pluralista. 

EU AGRADEÇO!

 

Telma Lenzi | 2006

 

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