Quais são os seus talentos?

Quais são os seus talentos?

“Trabalhe com aquilo que goste, e não terá que trabalhar um dia sequer na vida” 

Confúcio

 

Um encontro humano acontece com muitos “eus” e “tus”. Somos muitos em um encontro com o outro. Todos os nossos vários personagens ali, mergulhados na complexa atividade humana da linguagem.

Em um mundo próprio de signos e significados aportamos o que queremos comunicar. Desembarcamos nossa bagagem pessoal e social de nossas experiências que mais significamos em nossa história. Vamos conseguir ouvir o que o outro nos quer comunicar, com o nosso mundo interno. E, desta mesma forma limitada, seremos ouvidos.

Cada um de nós e nossos vários Personagens Internos, em diálogos internos. Cada um de nós em cada conversação, que envolve diálogo externo e interno simultaneamente. E assim nós nos encontramos e desencontramos na arte de “com-versar” e na busca do nosso bem estar no mundo. Porque somos perfeitamente imperfeitos.

Mas é também aí, na complexidade e imprevisibilidade destas trocas conversacionais entre as pessoas, que percebemos algo igualmente genuíno surgir nos diálogos: os talentos naturais de cada um. Algo singular, pessoal. Coisas que não conseguiríamos viver sem e que nos fazem ser únicos. Certos talentos, habilidades que se transformam em hábitos que temos para resolver questões de nosso cotidiano.

E, a partir destas habilidades, vamos definir quais caminhos percorreremos para estabelecer nossa forma de vida. Tanto pessoal como profissional.

Quais são os nossos talentos?

Quais outros talentos temos a ser resgatados, reconhecidos e colocados no cotidiano de nossas vidas, de nossos trabalhos, nossas relações, que impulsionem a construção de espaços conversacionais mais enriquecedores?

Alguma coisa que você sabe que faz muito bem e lhe rende elogios. Aquilo que quanto mais você faz, mais deseja fazer e, se fosse possível, faria sem cobrar. Porque sente muito prazer em realizá-lo. Como se houvesse uma fonte de energia inesgotável nesta ação. Algo que, ao experimentar esta sensação de realização, faz você ter vontade de compartilhar, beneficiar
outras pessoas, através deste seu talento.

Há quem me respondeu que não sabe quais são seus talentos. Outros imaginam “talento” somente como algo superior a ser alcançado por pessoas especiais, predestinadas. Vamos usar nosso “olhar de mosca”, mudarmos a perspectiva e enxergar talentos em todos nós.

Alguns têm inteligência privilegiada, habilidade para esporte, artes, música, e se destacam no mundo, ok!

Mas outros têm a capacidade de escutar ou de dizer uma palavra amiga, de cuidar, como talento. Você pode ter capacidade para fazer amigos, cuidar da família, e seu talento é o de agregar pessoas. Ou está sempre de bom humor, e seu talento é o otimismo.Ou ainda é aquela que faz o melhor bolo de cenoura, isso ou é talento culinário ou talento de curandeira, se o bolinho tiver alguns poderes especiais.

Em situações cotidianas há muito talento se expressando.

A mulher carente talentosa que, sozinha, administra o orçamento da casa e é amorosa com os filhos.

O recepcionista com seu sorriso acolhedor, o carteiro que passa cantando, isto também é talento.

Cada talento vai nos permitir desenvolver outras qualidades, habilidades e outros novos talentos.

Cada talento serve de ponte e treino para as mais diversas situações. Desenvolve nossa flexibilidade e resiliência, nos capacita pelo simbólico e pela criatividade.

A minha grande questão é: será que estamos integrando nossos talentos ao nosso viver? Ou se pensamos neles para o fim de semana, para as férias ou para a aposentadoria? Não há como viver a sensação de realização pessoal, sem integrá-los em nosso cotidiano, de nossa vida pessoal e profissional.

As transformações sociais afetaram diretamente nosso modo de viver e trabalhar, sendo a satisfação pessoal, a base que constrói os caminhos das relações e das profissões.

O trabalho físico foi substituído por máquinas, o mental por computadores, o ser humano passa a trabalhar então focado no conhecimento, com sua intelectualidade, criatividade, usando seus talentos.

Na escolha da carreira prevalece o ponto de vista da satisfação pessoal, pois será necessário ter prazer, alto nível de realização pessoal e motivacional no trabalho que realizará. O mercado exigirá um diferencial, o profissional terá que estar altamente qualificado. Será preciso ter vontade de estudar algo mais específico, como coloca Murilo Ohl (2011). Então estamos falando de talentos.

Somente a partir do reconhecimento e integração dos talentos de cada um, cria-se o projeto, único, próprio, singular, ligando a pessoa, seus talentos, seu melhor lugar de satisfação pessoal ao profissional.

Que não seja diferente em nossas vidas cotidianas, nos nossos múltiplos afazeres, nas nossas múltiplas escolhas relacionais.

Vamos reencontrar os nossos talentos?

O caminho da curiosidade desenvolve os talentos.

A criança experimentou curiosamente, foi incentivada e desenvolveu interesses. O gosto por algo despertava sua curiosidade e a fez seguir. Existindo oportunidade, encorajamento, liberdade para expressar sua individualidade ela seguiu, desenvolvendo seus talentos.

Este é um caminho! Faça isto com você. Cuide bem de sua criança interior e desenvolva novos talentos ou relembre os seus. Primeiramente invista em redescobri-los.
Eles eram nossas brincadeiras preferidas na infância. Precisam estar no nosso dia a dia, em nossa prática profissional, nossas ações pessoais. Mesmo de maneira simbólica. Ex: preferência de jogos em equipe ou individual na infância -> forma de maior rendimento no trabalho.

Depois é preciso ter disponibilidade emocional para desenvolvê-los. Ter fé, autoconfiança no processo.

Por terceiro, saber que aprender as aptidões necessárias para desenvolver seus talentos requer estudo e prática. O domínio de um talento só é conseguido com muita prática, dedicação e desejo de compartilhamento.

Encontre, reencontre seus talentos!

Encontre-se e viva por inteiro sua realização como pessoa, fazendo diferença nos encontros humanos.
Um encontro humano acontece com muitos “eus” e “tus”.

Telma Lenzi | Fevereiro de 2014

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