O PAI – Nosso primeiro heroi, perfeitamente imperfeito

O PAI – Nosso primeiro heroi, perfeitamente imperfeito

O primeiro herói de um menino?
O primeiro amor de uma menina?

Nosso pai. E em nosso primeiro laboratório social (a família) treinamos e incorporamos esta relação e a levaremos por toda a nossa vida, repetindo-a.

Mais do que gostaríamos seguiremos arrastando esse padrão.

Com toda a força da saudade emocional da infância, carregamos nossas lentidões.

A cada encontro atual, tentamos sobrepor o que vivemos com eles, nossos pais.

Buscamos as relações que se assemelham, sem perceber e, quando achamos, nosso personagem criança vai querer sempre mais. Mais e mais reviver.

Tanto as lembranças ruins quanto as boas. Viveremos a relação presente com a sobreposição esmagadora do passado, e a desesperança de um futuro previsível.

A quem respondemos quando agimos de tal forma? 

Estamos respondendo a pessoas do presente ou a pessoa do nosso passado? 

Padrão que se repete. Dor e frustração presente.

Final infeliz para todos.

Carregamos dores da infância porque nosso primeiro herói, nosso primeiro amor era humano, perfeitamente imperfeito.

Nesta condição nos amou e nos magoou.

Com sua história e suas dificuldades nos causou danos que nos desafiam a ir além.

Essa é a jornada do crescimento. A evolução que viemos fazer como pessoa.

Temos os pais que era preciso ter.

Escolhemos de um jeito ou de outro, por isso.

Não há lugar para ser vítima.

Só lugar para reescrevermos nossa própria história.

Acolher o que vivemos, diferenciar do que estamos vivendo e possibilitar algo diferente para vivermos. 

Acolher nossos sofrimentos e nossos pais.

Compreender que o vilão não era eles, mas o MEDO deles.

O MEDO dos nossos pais, transformou amor em dor, preocupação em raiva ou abandono, proteção em castigo.

Bem ele, o MEDO que é nosso maior protetor.

E seguimos. Tanto nós quanto nossos pais e nossos filhos, sem a medida exata para equilibrar este sentimento. 

Abrir mão da luta e sentir. Sentir, diferenciar e seguir adiante.

E pelo recurso do afeto, do acolhimento, da auto reflexão alcançaremos esta complexidade.

Pai,

Tu sempre foste e és o catalisador de todos o meu processo de evolução.

Sou o que gosto de ser devido a ti.

Mais do que sempre te agradeço por ter tido a honra de ser um dos teus filhos e viver contigo todas as minhas histórias.

Agradeço ainda a forma especial que te tenho presente em todos os meus diálogos internos em cada momento que vivo.

Tu foi meu herói, meu grande amor, agora meu incentivador, meu amigo.

Hoje estamos lado a lado, cuidando de cada idealização de cada saudade.

Ah!

Mas não posso negar que a dor da saudade física ainda me quebra.

Mas hoje é dia dos pais e me rendo a ela.

Te amo.

Telma Lenzi | Agosto de 2014

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