A Arte da Sexualidade

A Arte da Sexualidade

Um encontro sexual é um lugar para conversas corporificadas. O sexo é um diálogo.

 

Você aceita o convite para vivenciar a sexualidade como um diálogo? Sim?

Então tire um tempo para você.

Perceba seu corpo, sua respiração, sua mente.

Perceba seus diálogos internos, seus Personagens.

Quem fala, quem cala e se esconde.

Quem tem vergonha, quem quer ter o controle, quem fica ansioso e com pressa e quer acabar logo a conversa?

Respire e perceba-os em sua paisagem interior.

Observe seu mundo interno, tão único, singular.

E, com o Personagem Observador, vá aquietando sua mente tagarela e barulhenta.

Não leve seu barulho interno para a beleza deste momento.

Seja fiel à busca de seu bem estar.

Você merece ter silêncio interno.

Construa diálogos internos colaborativos, produtivos, democráticos, ampliando possibilidades infinitas entre suas várias vozes.

Não julgue seus antagonismos.

Eles fazem você ser singular e garantem a sua humanidade.

Garanta apenas que eles não vão oprimir nenhuma outra voz sua.

Todos podem conviver com suas opiniões divergentes se houver respeito.

Tanto no mundo real como no mundo interno, todos possuem sua verdade.

Respire profundamente.

Relaxe seu corpo.

Só você sabe a parte de você que precisa de mais atenção e cuidado.

Não terceirize o auto cuidado, o auto amor.

Ao harmonizar seus diálogos internos, seu corpo relaxa.

Ao relaxar seu corpo, seus diálogos internos serenam.

Seu corpo está pronto para sentir.

Busque seu significado para a sexualidade.

Amplie para além do ato sexual, para além da sensação genital.

Estimule-se gentilmente, suavemente.

Desfrute do silêncio interno e permita-se sentir o seu corpo no encontro com a energia sexual.

Aumente sua consciência para a sensação em todo o seu corpo e eleve os níveis de energia.

Ela vem aos poucos e preenche todo o espaço interno.

Permita-se sentir-se em ondas.

Dos pés a cabeça.

Da cabeça aos pés.

Observe a flutuação da energia sem interferir, sem conduzir, somente permita-se.

E se é tão bom, relaxe.

Não tenha pressa.

Usufrua deste momento, desta experiência sensorial.

Conceitos doutrinadores como intensificação da sensação, diversificação da performance, melhora do desempenho não pertencem a esse encontro.

Seu corpo conduz e sua mente está serena.

Simplesmente desfrute desta sensação.

Se está suavizando demais, respire, conscientize-se da energia circulando em você e intensifique.

Se está muito forte suavize.

Entregue-se.

Não se abandone.

Mantenha-se consciente, observando a energia seguindo seu fluxo natural.

Crianças se abandonam no colo adulto protetor.

Pessoas adultas não se abandonam: se entregam.

Convide a personagem adulta para estar conduzindo esta experiência.

Não tenha pressa.

Fique assim pelo tempo interno necessário de carregar sua energia vital.

Para onde vai seguir, você sente e escolhe:

  • Adormecer suavemente.
  • Despertar desta experiência e voltar ao seu cotidiano.
  • Favorecer a experiência orgástica.

Você, seu corpo, são únicos.

Sua experiência sensorial, o encontro com a energia sexual é singular.

Sem rótulos, sem padrões, sem certos e errados.

Sem medo, sem pecado.

Só a verdade interna da própria experiência.

E se você se conhece, permite e respeita sua singularidade, poderá conhecer e respeitar a singularidade do outro, convidando a estar em diálogos corporificados.

Busque o outro.

Primeiro relaxem seus corpos e suas mentes.

Permitam-se o silêncio interno.

Não levem seus barulhos internos para o encontro com o outro.

Ninguém merece sua tensão, sua ansiedade.

Estejam por inteiro no momento presente.

Conectem-se com o outro através de seus olhos.

Deixem aflorar confiança e intimidade.

Olhem a beleza que existe nesse olhar, vejam sua alma.

Permaneçam por um tempo assim.

Sem pressa, sem controle, só a sensação corporal conduzindo a experiência.

Permitam-se o tempo da mais profunda intimidade.

Fechem os olhos e imagine-o.

Suavemente abram os olhos e olhem em seus olhos.

Depois fechem os olhos por mais um tempo.

Abram os olhos novamente e pergunte-se:

Posso aceitá-lo do jeito que ele é?

Permaneçam assim até que suas mãos espontaneamente busquem o outro.

Respirem profundamente.

Não tenham pressa.

Toquem um ao outro com suas mãos suavemente. Vagarosamente.

Levem o toque nas pontas dos dedos, gentilmente.

Sintam o poder do toque, a sensação irradiando seu corpo como um todo.

Fechem os olhos.

Respirem profundamente.

Vocês são muito mais do que seus genitais.

Seus corpos por inteiro são eróticos e dialogam.

Muito além do prazer genital.

Muito distante dos doutrinamentos culturais, performances e culto à beleza física.

Recebam e aceitem o corpo, as emoções e sensações do outro.

Deixem que elas interajam com as suas, que criem o caminho.

Permitam-se observar o diálogo das sensações.

Desfrutem do prazer que a troca possibilita.

Vá por onde escolhem ir, tocando o corpo do outro, permitindo o toque no seu.

Prorroguem o toque nos genitais para mais tarde.

Prorroguem o prazer, ampliem as sensações, sintam a força da sexualidade no seu corpo todo, carregando sua energia.

Respirem profundamente.

Não acelerem o ritmo.

Não tenham pressa de chegar, de acabar.

Sintam seus corpos fluindo nesta energia.

Permitam-se sentir prazer em carregar, não somente em descarregar.

Sexo é mais do que alívio para ansiedade, tensões e emoções negativas ou distrações.

Sexo é muito mais que descarga de emoções contidas.

Sexo é todo o seu corpo colocado em diálogo com o outro.

Respirem profundamente.

Mantenham-se relaxadamente conscientes.

Soltem o controle sem abandonar-se.

Mantenham-se conscientes do seu prazer.

Entreguem-se a essa dança sensorial.

Mantenham o ritmo da respiração.

E quando for, e se os genitais se procuram, permitam-se.

Se não acontecer este caminho, relaxem.

Se vier o desejo de um abraço, compartilhem.

Se adormecer, usufruam.

Não há certos e errados.

Só a singularidade daquilo que é seu construído com o outro.

Se sentirem vontade, diminuam a excitação.

Relaxem.

Se sentirem vontade, aumentem a excitação.

Depois relaxem novamente como uma dança que acompanha o ritmo de uma música interna.

Dancem e permitam-se manter-se assim.

Se não há o que descarregar, aceite.

O carregamento, a elevação da energia sexual é um presente, uma meditação.

Se escolhem assim, mantenham-se na sensação.

Se vier o orgasmo, permitam-se.

Não há regras a seguir.

Sua forma de ser com sua energia sexual e com o outro é única, singular.

Os padrões da normalidade descontruíram-se.

Só o diálogo corporificado permanece.

Confie no seu corpo, na sua energia, nos seus sentidos.

E seja merecedor desta paz.

Telma Lenzi | Dezembro de 2015

 

 

 

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